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A fundação de São Simão

Da cidade de Taubaté, nos meados do ano da graça de 1823, partiu uma Bandeira com o fito de explorar o sertão bruto. Até a vila de Casa Branca, palmilhou essa bandeira as pegadas das célebres Bandeiras de José da Silva Prêto, Borba Gato e tantas outras. Daí, percebendo que estava afastando-se das fabulosas minas das Catas Altas, na Serra de Sabarabussú, nas famosas Minas Gerais, rumou para os lados do nascente, “plantando” as novas vilas de São José do Rio Pardo, Mocóca e Caconde.













Quadro pintado por Chafik Felipe com base em foto original.




Nessa Bandeira, integrou-se Simão da Silva Teixeira, sua mulher Catherina Maria da Silva, seus cativos. Na altura da Vila de Casa Branca, Simão entregou sua esposa, seus víveres e seus escravos à guarda de seu irmão, bandeirante também e alongou-se sozinho, por rumo diverso. Aquela seguiria a direção do sol nascente. Ele, para os lados do poente. Levando apenas o que poderia levar, embrenhou-se pela mata; ia à procura, não de minas auríferas que se esgotariam com as catas e sim, à procura da mais legítima mina, a que não se esgotaria jamais – TERRA.

Cada vez, ia mais longe, olhando sempre para o lugar onde o sol se deita, até que desorientou-se, perdendo-se por entre o matagal espêsso. Seus víveres acabaram-se e perdera suas armas. Só não perdera a vontade de seguir, seguir sempre, agora à procura de alguma cousa para mitigar a fome que o debilitava e o fogo da sede que lhe devorava as entranhas. Exausto, vendo que jamais alcançaria, se voltasse a Bandeira que deixara, volveu os olhares para os céus.

Só Deus e o seu padroeiro, poderiam salva-lo. Se achasse pouso e caminho de volta, no lugar onde fosse socorrido, alí permaneceria até o fim de seus dias, depois de buscar sua mulher, cativos e uma imagem do santo feita pelas suas próprias mãos. Essa imagem traria ele nos ombros, até o lugar, onde para sempre ficaria em capela esposta à devoção de todos. Deus ouviu suas preces e seu Santo padroeiro veio em seu socorro. Ali mesmo, distante apenas meia légua, nas sombras da noite negra e tétrica, vislumbrou fogo. Para lá seguiu e pediu guarida. Um casal de negros cativos foragidos, acolheu-o na sua choupana. Estava salvo. Só lhe faltava agora, tempo necessário para recuperar-se e voltar em busca de seus. A serra estava ali, verde e ondulante; abaixo dela, o rio de águas cristalinas e abundantes. O céu radioso o convidava a ficar. Essa seria sua mina, seu chão, sua cidade até que seus dias se findassem. Voltou, encontrando a Bandeira arranchada, não mais em Casa Branca, mas em Caconde, para cultura de viveres. Lá escolheu o mais belo cedro, abateu-o e esculpiu à faca, o seu Santo. Abasteceu-se de armas, pólvora, sementes e animais de cria.

Dizendo adeus aos companheiros de jornada, agora com rumo certo, aportou no lugar onde fora socorrido, para ficar. Fêz construir seu rancho, sua capela e campos de plantas. Anos depois, já comprovada a fertilidade da terra “dadivosa e boa”, requereu posse da cesmaria, comprometendo-se a povoá-la. Essa cesmaria vinha desde Casa Branca, até o Rio Pardo, nas imediações de Ribeirão Preto.

Mais uma célula de vida, implantava-se no coração da terra inospita e bravia, que pedia que a cultivassem e a fecundassem.

Assim nasceu a cidade de São Simão.




Fonte: Livro Epopéia de um Povo (Paulo Ferrari Massaro).




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