O Resgate da Nossa História, Tijolo por Tijolo
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: Nosso Acervo Integra o Catálogo da Tijoloteca Paulista com Raridades de Henrique Dumont

Há quem veja em um tijolo apenas um bloco de argila cozida. Para nós, do Museu Histórico Simonense Alaur da Matta (Fundação Cultural Simonense), cada um deles é uma página manuscrita que reconta a evolução urbana, a arquitetura e a própria identidade paulista. É com imensa alegria e orgulho institucional que compartilhamos com nossos leitores, amigos e pesquisadores uma grande conquista: o nosso acervo agora consta oficialmente no prestigiado catálogo da Tijoloteca do Estado de São Paulo.
O projeto realizou uma profunda pesquisa e organização de 341 peças históricas, resultando em uma coleção de referência que descreve detalhadamente 70 tijolos selecionados de seis municípios. São Simão tem uma participação expressiva e de enorme relevância científica neste mapeamento patrimonial: foram catalogados 23 tijolos antigos da nossa cidade e das fazendas históricas do município, colocando nossa região como um dos pilares da memória cerâmica do estado, ao lado de Araraquara, Campinas, Cruzeiro, Ribeirão Pires e Tatuí.
São Simão a patir da página 54.

O tijolo antigo como fonte de informação
Muito além de um mero elemento construtivo, o tijolo antigo é uma valiosa fonte de referência arqueológica e cultural. Conforme aponta a pesquisa do catálogo, as inscrições e marcas gravadas nessas peças trazem, na maioria das vezes, as iniciais dos nomes dos proprietários das antigas olarias. Esses pequenos detalhes nos permitem desvendar a localização exata das olarias, o período de suas atividades, os grupos de trabalhadores envolvidos, as técnicas de produção e as rotas de circulação das peças (onde foram produzidas e onde foram efetivamente aplicadas).
Uma Raridade no Nosso Acervo: O Tijolo de Henrique Dumont
Como uma fascinante curiosidade revelada pelo catálogo da Tijoloteca, o acervo de São Simão guarda peças que unem a arqueologia industrial à história da ciência e da aviação mundial. Um dos grandes destaques do nosso município é o tijolo catalogado sob o registro Funcus - T1, que traz em baixo-relevo o carimbo "H.D.".
Essa marca pertencia à antiga olaria de ninguém menos que Henrique Dumont, o célebre "Rei do Café" e pai de Alberto Santos Dumont, o inventor do avião. A olaria funcionava na histórica Fazenda Amália, localizada no então bairro da Lagoa, em São Simão (região que, anos mais tarde, em 1910, desmembrou-se para formar o município de Santa Rosa do Viterbo). Essa peça robusta (com mais de 3,6 kg) operou entre 1894 e 1920 e foi generosamente doada ao museu pelo Dr. Eduardo C. Zabrosky, imortalizando a conexão entre a manufatura simonense e a linhagem de uma das famílias mais importantes do desenvolvimento do país.
Para o Museu Alaur da Matta, integrar este catálogo técnico-cultural com 23 exemplares locais é a garantia de que a memória construtiva simonense será preservada e estudada por pesquisadores de todo o Brasil. Essas evidências materiais nos ajudam a realizar datações relativas da nossa própria estrutura edificada e a compreender como São Simão dialoga diretamente com a era de ouro da cafeicultura, a expansão ferroviária e a industrialização do interior paulista.
Convidamos todos os simonenses, turistas e entusiastas da história a visitar o museu e a olhar para as nossas paredes e vitrines com outros olhos. Venha descobrir as marcas do tempo, os carimbos do passado e as texturas que fazem do nosso espaço um capítulo vivo, sólido e fascinante da história paulista.
Afinal, a preservação do passado se faz assim: tijolo por tijolo.
Quer saber mais sobre as pesquisas, os 23 tijolos catalogados e o acervo completo do nosso museu? Continue acompanhando o nosso blog ou faça-nos uma visita programada!
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